Faz hoje sete anos...O meu pai festejava os seus 48 anos...Achava ele que ia ser um dia igual a tantos outros mas com mais telefonemas, um bolo e uma boa garrafa de champanhe...
Ficou-se pelos telefonemas, pois a notícia que recebera havia lhe tirado a vontade de festejar, de comer, de beber... Só queria que a sua menina ficasse boa e que aquele dia nunca tivesse acontecido... Queria fugir e ir ter com ela... Por mais que ela dissesse que estava tudo bem, que não era nada de grave, o coração dele sabia que ela estava a mentir...
Há sete anos atrás, estava fechada num quarto de hospital, em Vila Real, Trás-os-Montes... Provavelmente a experiência mais traumática da minha vida mas também das mais importantes...
Tudo aconteceu num segundo...Um carro despistou-se e nós fomos a bóia de salvação de uma família inteira. O instinto fez com que nos abraçássemos um ao outro em gesto de despedida. Aquele segundo à espera do embate pareceu durar uma eternidade... Lá estávamos nós, impotentes, à espera do inevitável...
Não me lembro de muito mais do que isso, apenas flashes, momentos, segundos... Lembro-me de rostos, das lágrimas a correrem pela rosto da enfermeira do INEM, dos gritos do meu E. Lembro-me dos meus braços caírem...
Só percebi a gravidade da situação quando chegamos ao hospital e me perguntaram se sentia isto, isto e isto..."Isto o quê?"respondia eu.
Senti que tinha de ser forte e ter fé. Senti que não podia demonstrar fraqueza e que só podia chorar quando estivesse a sós...Senti que carregava o peso do mundo nos meus ombros e que a felicidade de muitas pessoas dependia de mim, da minha força...
Pai nenhum merece ver a filha acamada e saber que ela poderá nunca mais voltar a andar...
Este ano, prometo não te pregar um susto destes! Parabéns pai!